Odete Bozzetto

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Cuidados paliativos: o que são, para quem são e o que não são

O que são cuidados paliativos, quando começam e por que não significam desistir. Conceito do INCA e da OMS e o papel do cuidador de idosos.

Mão de quem cuida sobre a mão de uma pessoa idosa, sobre uma manta, em casa

Quando alguém da família ouve "cuidados paliativos" pela primeira vez, muitas vezes entende uma coisa só: que não há mais nada a fazer. É o oposto. Cuidados paliativos são cuidado ativo, pensado para aliviar o sofrimento e proteger a qualidade de vida de quem tem uma doença grave, e de quem está ao lado. Para o cuidador de idosos, entender isso muda a forma de estar presente.

O que são cuidados paliativos

O Instituto Nacional de Câncer (INCA), do Ministério da Saúde, define: cuidados paliativos "são os cuidados de saúde ativos e integrais prestados à pessoa com doença grave, progressiva e que ameaça a continuidade de sua vida". O objetivo é a qualidade de vida do paciente "e de seus familiares".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) fala em uma abordagem que "melhora a qualidade de vida de pacientes (adultos e crianças) e de suas famílias diante de doenças que ameaçam a vida", e que "previne e alivia o sofrimento" (tradução livre).

Duas palavras se repetem nas duas definições: qualidade de vida e família. Cuidado paliativo não é sobre a doença. É sobre a pessoa que vive com ela.

Quando começam

Uma das ideias mais erradas sobre o tema é que o paliativo só entra no fim. O INCA responde à pergunta "quando começar?" de forma direta: "O mais precoce, sempre que possível." E lembra que os cuidados paliativos podem ser "associados ao tratamento com objetivo de cura da doença".

A OMS vai na mesma linha: o cuidado paliativo "é mais eficaz quando considerado cedo no curso da doença". Segundo a organização, começar cedo também reduz internações desnecessárias.

Para quem são

Não são só para câncer. Segundo a OMS, a maioria dos adultos que precisa de cuidados paliativos tem doenças crônicas. As maiores parcelas são as doenças cardiovasculares (38,5%) e o câncer (34%).

E a necessidade é grande. A OMS estima que 56,8 milhões de pessoas precisem de cuidados paliativos por ano, 25,7 milhões delas no último ano de vida. Só cerca de 14% recebem. (Dados da página da OMS sobre cuidados paliativos, de 2020.)

No Brasil, o tema virou política pública. A Política Nacional de Cuidados Paliativos foi instituída no SUS pela Portaria GM/MS nº 3.681, de 7 de maio de 2024.

O que cuidados paliativos não são

  • Não são "quando não há mais nada a fazer". O INCA e a OMS dizem que começam cedo e podem andar junto com o tratamento curativo.
  • Não são só para câncer. As doenças cardiovasculares formam a maior parcela.
  • Não são desistir. São alívio do sofrimento e qualidade de vida.
  • Não são só para o paciente. A família está na própria definição.
  • Não acontecem só no hospital. Há cuidadores que atuam com paliativo em casa, junto com a família e a equipe de saúde.

"Porque cuidados paliativos não significam desistir da vida. Significam cuidar da vida que existe, com dignidade, conforto, respeito e presença."

Odete Bozzetto, gerontóloga e especialista em cuidados paliativos e finitude, no Instagram, 25/08/2026

A família também é cuidada

O INCA descreve a família como parte do cuidado. A equipe apoia os familiares, e cuidadores e voluntários "acompanham e apoiam os membros da família".

Isso tem um peso prático. Em uma doença grave, quem está em volta também se cansa, se assusta e precisa de orientação. Um cuidado paliativo bem feito olha para a pessoa doente e para a casa inteira.

A Odete Bozzetto, que atua em paliativo e finitude domiciliar, descreve assim: "O cuidado paliativo, vai muito além, proporciona a possibilidade do paciente ter qualidade de vida, ter uma rotina e seguir sua vida dentro de algumas limitações, e um suporte à família momentaneamente." (Instagram, 20/07/2026)

Onde entra o cuidador

A equipe de saúde define o tratamento. O cuidador está nas horas em que a equipe não está. É nesse tempo, o tempo da rotina, que muito da qualidade de vida acontece ou se perde.

O que um cuidador preparado faz no paliativo:

  • Segue o plano da equipe e não improvisa conduta de saúde.
  • Observa e registra dor, sono, apetite, humor e o que mudou, e leva isso à família e à equipe.
  • Preserva a rotina possível. Pequenos hábitos, preferências e gostos da pessoa contam.
  • Respeita a vontade da pessoa e o ritmo dela.
  • Apoia a família com presença e informação clara, sem tomar decisões que não são dele.
  • Cuida de si. Acompanhar uma doença grave pesa, e cuidador esgotado cuida pior.

Para quem cuida

O paliativo pede técnica, mas pede também equilíbrio para estar diante do sofrimento sem fugir dele. É um dos campos em que a formação faz mais diferença na vida do paciente, da família e do próprio cuidador.

Fontes

  1. gov.br · cuidados paliativos
  2. who.int · palliative care
  3. saude.sc.gov.br · Portaria 3681 2024 Institui PNCP no SUS
  4. conass.org.br · conass informa n 87 2024 publicada a portaria gm n 3681 que institui a p…
  5. instagram.com · DcepbNWslRg
  6. instagram.com · DbCEy6XGZW8

Conteúdo informativo e educativo. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

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