Odete Bozzetto

Blog · Longevidade · Envelhecimento

Longevidade: o que é viver mais e por que a qualidade dos anos importa

O que é longevidade e o que os números do IBGE e da OMS mostram: o Brasil vive mais. A pergunta agora é como viver bem esses anos.

Mãos de uma pessoa idosa seguram uma muda com terra, amparadas pelas mãos de uma pessoa mais jovem, diante de uma árvore antiga ao fim da tarde

O Brasil está vivendo mais. Não é uma previsão: já está nas casas, nas famílias e nos consultórios. A longevidade deixou de ser exceção e virou realidade de milhões de pessoas. Agora a pergunta que importa é outra: não só quantos anos a mais, mas como esses anos serão vividos. E quem vai cuidar deles.

O que é longevidade

Longevidade é a duração da vida, e, por extensão, a capacidade de uma população viver por mais tempo. Mas o tema não se resume a contar anos. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) coordena nas Américas a Década do Envelhecimento Saudável (2021–2030), declarada pela ONU. O objetivo não é só viver mais: é otimizar a capacidade funcional das pessoas idosas, que resulta da interação entre a capacidade de cada um e o ambiente em que vive.

Em outras palavras: longevidade boa é a que vem com autonomia, convívio e sentido.

O que os números dizem sobre o Brasil

Os dados do IBGE mostram uma mudança rápida.

  • 32.113.490 pessoas com 60 anos ou mais no Censo 2022, ou 15,8% da população. Em 1980, eram 6,1%.
  • Em 2010, eram 20,6 milhões (10,8%). Um crescimento de 56% em 12 anos.
  • O índice de envelhecimento chegou a 80,0 em 2022: são 80 pessoas idosas para cada 100 crianças de 0 a 14 anos. Em 2010, eram 44,8.
  • O IBGE projeta que a população de 60 anos ou mais ultrapasse a de 0 a 14 anos na década de 2030.

A expectativa de vida acompanha. Segundo as Tábuas Completas de Mortalidade do IBGE, ela chegou a 76,4 anos em 2023, já acima do patamar de antes da pandemia: 79,7 anos para as mulheres e 73,1 para os homens. São 30,9 anos a mais do que em 1940.

E no mundo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que o movimento é global:

  • Até 2030, 1 em cada 6 pessoas no mundo terá 60 anos ou mais.
  • Até 2050, a população mundial com 60 anos ou mais vai dobrar, para 2,1 bilhões.
  • O número de pessoas com 80 anos ou mais deve triplicar entre 2020 e 2050, chegando a 426 milhões.

A velhice, portanto, não é uma fase só. Dos 60 aos 100 anos há realidades muito diferentes, e o grupo que mais cresce é justamente o dos mais velhos.

Viver mais não é sinônimo de viver doente

Uma ideia comum é a de que viver mais significa passar mais anos doente. A OMS contesta. Segundo a organização, a diversidade que se vê na velhice "não é aleatória" (tradução livre). Grande parte dela vem dos ambientes físicos e sociais e dos comportamentos ao longo da vida.

Isso tem uma consequência prática: o que se faz no dia a dia conta. Rotina, movimento, convívio, um ambiente seguro e um cuidado atento podem fazer diferença na forma como alguém vive os seus anos.

O peso do preconceito

A OMS também chama a atenção para um obstáculo que não aparece em exame. "Pessoas idosas são frequentemente vistas como frágeis ou dependentes e como um fardo para a sociedade" (tradução livre). É o idadismo, o preconceito por idade, que a organização aponta como barreira para um envelhecimento saudável.

Combater o idadismo começa em gestos simples: perguntar à pessoa idosa o que ela quer, em vez de decidir por ela. Respeitar o ritmo dela. Não infantilizar. Valorizar a história de cada um.

Mitos sobre a longevidade

  • "Viver mais é viver doente." A OMS diz que a forma de envelhecer depende muito de ambiente e hábitos.
  • "Idoso é fardo." É exatamente o estereótipo que a OMS descreve como idadismo.
  • "Isso é coisa do futuro." Já são mais de 32 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais.
  • "Velhice é uma coisa só." Uma pessoa de 62 e outra de 95 vivem realidades muito diferentes.

O que a longevidade muda para quem cuida

Mais pessoas vivendo mais significa mais famílias precisando de apoio, e por mais tempo. Significa também cuidados mais variados: da pessoa ativa que precisa de companhia para uma consulta à pessoa com várias condições de saúde que precisa de acompanhamento diário.

Nesse cenário, o cuidador de idosos ganha importância. E a régua sobe: não basta estar presente, é preciso estar preparado.

"Vivemos um momento em que o envelhecimento da população cresce a cada dia, e com ele, a necessidade de profissionais preparados, humanos e comprometidos."

Odete Bozzetto, gerontóloga e Concierge 60+, no Instagram, 18/03/2026

Para quem cuida

A longevidade é uma conquista coletiva. Transformar anos a mais em anos bem vividos depende, em boa parte, de quem está ao lado no dia a dia. Para o cuidador, é uma profissão com futuro, e com responsabilidade crescente.

Fontes

  1. biblioteca.ibge.gov.br · liv102038
  2. ibge.gov.br · 38244 ibge divulga hoje em 1 de novembro o texto censo demografico 2022 po…
  3. biblioteca.ibge.gov.br · tcmb 2023
  4. agenciadenoticias.ibge.gov.br · 41984 em 2023 expectativa de vida chega aos 76 4 anos e …
  5. who.int · ageing and health
  6. paho.org · decada do envelhecimento saudavel nas americas 2021 2030
  7. instagram.com · DWAd6fvEbOk

Conteúdo informativo e educativo. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

Quero entrar na lista da mentoria